47. Império perdido

Eis a História em traços largos do fim do Império Português que é pouco divulgada e sabida.

   Um dos primeiros impérios coloniais europeus foi o Império Português (os Víquingues foram os primeiros, 700 anos antes: Islândia em 870 e Gronelândia em 985. Chegaram ao continente americano mas as tentativas de o colonizar falharam). O Império Colonial Português começou em 1415 com a conquista da cidade muçulmana de Ceuta no Norte de África e terminou em 1999 quando a administração da cidade chinesa de Macau foi devolvida às autoridades de Pequim. Foram cerca de 584 anos carregados de momentos memoráveis (uma pequena nação chegou a todas as partes do mundo)  e momentos vergonhosos (os Portugueses foram responsáveis por levar cerca de 40% de todas as pessoas escravizadas em África para o Continente Americano. Os Espanhóis vêm depois com apenas 15%. As colónias inglesas não chegaram nem a 6%). A razão para o desaparecimento de tão antigo império colonial não é algo que se costume referir ou saber (a par de outras questões históricas como vistas nos artigos A origem da Bandeira ou Olivença). As razões porque foram deliberadamente escondidas e adulteradas pela Ditadura Portuguesa (que durou de 1933 até 1974) tiveram propósitos propagandistas.

   O Império Português pode ser dividido em três principais zonas geográficas em três diferentes continentes: o Império Português Asiático, o Império Português Africano e o Império Português Americano e cada uma delas surgiu e desapareceu em momentos diferentes e por razões diferentes.

   A primeira grande componente do Império Português a ser perdida foram a componente asiática (Indonésia, Índia, Sri Lanka/Ceilão, Nagasáqui, Ilha Formosa/Taiwan, Austrália). Falou-se em Ceilão/Sri Lanka sobre a Taprobana de Camões no artigo Lágrima do Leão. Esta perda (perca é um peixe) começou em 1580 quando o rei espanhol Filipe II se tornou Filipe I de Portugal (era tio de D. Sebastião e subiu ao trono quando este desapareceu na Batalha de Alcácer-Quibir). As guerras espanholas tornaram-se guerras portuguesas, inimigos de Espanha tornaram-se inimigos de Portugal (por exemplo, vários navios portugueses integraram a Grande y Felicíssima Armada que atacou a Inglaterra em 1588. Foram os Ingleses que lhe deram o jocoso nome de Armada Invencível). Uma dessas guerras herdadas foi com as 17 Províncias da Holanda (na verdade, a tradução do seu nome Nederland é Países Baixos, já que a Holanda do Norte e a Holanda do Sul são apenas duas das suas províncias) que combatiam pela sua independência da coroa espanhol (1568-1648). Estes começam a atacar colónias portuguesas por todo o mundo dando origem à Guerra Luso-Holarandesa (1595-1663). Nesta Guerra (a primeira guerra de dimensões mundiais a surgir), os Portugueses venceram os Holandeses na América do Sul e em África mas perderam as colónias asiáticas (principalmente a Indonésia e a Índia e Ceilão).O Império Português Asiático terminou (exceto Timor na Indonésia, Macau na China e Goa/Damão/Diu na Índia).

   Quanto à componente Americana do Império Português (Brasil), em 1807, as tropas francesas de Napoleão (mas não o próprio, ainda que ele tenha combatido em Espanha perto da fronteira portuguesa) invadiram Portugal com a ajuda dos seus então-aliados espanhóis. Graças ao apoio militar inglês (liderado o Duque de Wellington), os franceses foram derrotados mas não antes da Coroa Portuguesa se ter refugiado no Brasil (e os espanhóis se terem apoderado da cidade portuguesa de Olivença). Enquanto o Rei Português D. João VI viveu no Brasil, a colónia recebeu o estatuto de reino, fundando assim o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (oficializado em 1815). Quando o rei voltou a Portugal após a derrota francesa, o príncipe-herdeiro D. Pedro ficou no Brasil e, um ano depois, liderou o Brasil na luta pela independência e tornou-se o primeiro imperador brasileiro (em 1825). A par das ideias republicanas, as invasões francesas mudaram e ampliaram o léxico português (como mudar o nome da cor marrom para castanho, com visto no artigo Palavras coloridas). Assim terminou o Império Português Americano.

   Quanto à componente africana, em 1890, a Coroa Inglesa fez um ultimato o rei português (Ultimato Britânico de 1890): todas as tentativas portuguesas de conquistar as terras africanas entre Angola e Moçambique tinham de cessar (os ingleses pretendiam e mais tarde conseguiram unir por uma linha de caminho-de-ferro continua por território inglês a África do Sul e o Egito). Este ultimato inglês gerou muito descontentamento em Portugal e contribuiu para a queda da Monarquia Portuguesa em 1910 e pôs um ponto final à última tentativa de dar novo fôlego ao Império. A machadada final surgiu já no século 20 (entre 1961 e 1974), quando o desejo de autonomia (não necessariamente independência no início) foi enfrentada pelo Exército Português durante a Guerra Colonial. Esta terminou quando a ditadura portuguesa foi derrubada por militares cansados da guerra  e foi substituída por uma Democracia que reconheceu a completa independência às ex-colónias portuguesas em África. Assim terminou o Império Português Africano. Uma parte pequena do império português em África que se tinha antes perdido foi Zanzibar, de que se falou em Costa persa.

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