61. Compressão explosiva

   Quando se vai a uma bomba de gasolina, pode-se escolher Sem Chumbo 95 ou Sem Chumbo 98. E ainda há regular e premium. O número que acompanha o nome da gasolina não tem a ver com algum ano de criação ou qualidade, refere-se explicitamente à composição da gasolina. A gasolina é um hidrocarboneto alifático (há hidrocarbonetos aromáticos que contêm benzeno e alifáticos que não têm). Falou-se em compostos de carbono e hidrogénio no artigo sobre as gorduras Estrutura saturada. A gasolina é composta por muitas moléculas diferentes, principalmente hidrocarbonetos e alguns aditivos mais ou menos infelizes, como foi durante muito tempo o caso do chumbo devida a um engenheiro americano, Thomas Midgley, que, em 1920, descobriu que a presença de chumbo na gasolina impedia as explosões dos motores dos veículos (o mesmo senhor Midgley foi também o infeliz inventor dos CFC, os CloroFluoroCarbonetos. É preciso ter olho para tanta asneira ecológica)

   Um hidrocarboneto é uma molécula constituída por carbonos e por hidrogénios. Os carbonos formam uma cadeia e os hidrogénios ligam-se a esse cadeia «revestindo-a». No caso específico da octana tem oito átomos de carbono, no caso da heptana tem sete, a decana tem dez,… Quando a gasolina é queimada no motor do carro essa cadeia é quebrada e os seus constituintes formam novas moléculas com o oxigénio. Liberta-se uma grande quantidade de calor, dióxido de carbono (CO2) e água (H2O). É claro que se liberta muito mais dióxido de carbono do que água, porque só é necessário um átomo de carbono para o dióxido de carbono e dois para a água. O calor libertado é enormeSe um ser humano pudesse consumir gasolina (que é obviamente tóxica) 5 litros de gasolina teriam aproximadamente 41 milhões de calorias (ou seja, 41 mil kcal, que é a medida usada nos alimentos). Ver o artigo Calorias desmedidas para mais sobre o que são as calorias.

   O combustível é introduzido juntamente com ar, depois a mistura é comprimida, depois é feita explodir o que empurra o pistão para baixo e depois os gases resultantes da explosão são libertados. A gasolina num motor é comprimida antes de ser queimada mas há um limite para a compressão que um dado volume de gasolina pode aguentar antes de espontaneamente explodir (com desastrosas consequências para o motor). Cada tipo de gasolina tem uma taxa de compressão diferente e essa taxa é indicada pelo número no nome e que está ligada às octanas presentes na sua composição. Quanto mais elevado for esse número maior a compressão que a gasolina permite antes de ser queimada. Quanto mais comprimida for a gasolina mais impulso dá ao carro pois à força da explosão soma-se a força da compressão do líquido.

   Por isso a 98 é mais potente do que a 95 (o mesmo volume de gasolina pode ser mais comprimido, dando mais impulso ao carro). De todos os hidrocarbonetos alifáticos, as octanas são as que melhor aguentam a compressão antes de explodirem (as heptanas, por exemplo, explodem com facilidade à menor compressão). O número no nome da gasolina é a percentagem de octanas que tem em relação a outros hidrocarbonetos presentes. A «Sem chumbo 95» tem 95% de octanas. A «Sem chumbo 98» tem 98% de octanas. Quanto mais elevada for a percentagem de octanas melhor a gasolina se comprime e maior o impulso dado ao carro. É claro que também mais tempo de refinação necessita para eliminar os outros hidrocarbonetos. Por isso, a 98 é mais cara do a 95 mas também mais potente. Mas o interior do cilindro onde a mistura de gasolina e ar é queimada é muito quente e restos de ignições anteriores e o calor podem fazer com que a gasolina expluda antes do pistão estar em posição, o que não danifica o motor mas diminui a sua eficácia do motor. As gasolinas premium são tão “explosivas” como as anteriores mas não explodem antes de o pistão estar em posição e são mais eficientes (e também mais caras).

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