63. Energia evolutiva

  Todos os seres vivos no planeta Terra têm ADN (Ácido DexorriboNucleico), todos os ADN são constituídos por 4 tipos de moléculas (Adenosina, Timina, Citosina e Guanina) revestidas por uma camada de proteínas, formando o conjunto uma elegante Dupla Hélice (esta estrutura foi descoberta por Watson e Crick no século passado, o XX), com as moléculas ATGC a formar os “degraus” e as proteínas a formar os dois “corrimãos”. Mas há outra coisa que é comum a todos os seres vivos do planeta: todos produzem energia na sua células “queimando” a calorias dos nutrientes ingeridos (para mais sobre calorias ver o artigo Calorias desmedidas) em pequenas estruturas dentro de cada célula chamadas mitocôndrias, desde as bactérias (o mais pequeno ser vivo) às baleias azuis (os maiores). Pensa-se que, no início da vida, surgiram vários tipos de seres vivos. Todos eles acabaram por se extinguir menos um, o que deu origem a todos os seres vivos que agora existem. Mas um outro também sobreviveu, bem dentro desse primeiro ser que sobreviveu a todos.

   As mitocôndrias, antes da lenta eliminação de todos os seres primeiro surgidos, estabeleceu uma simbiose com o ser que eventualmente sobreviveria a todos, o antiquíssimo ascendente de todos os seres vivos. As mitocôndrias produziam a energia (o ATP que ainda usamos) e esse antepassado fornecia-lhe um lar bem apetrechado e confortável. A relação foi tão proveitosa que subsistiu em todos os seres vivos até hoje. A razão pela qual se sabe que a mitocôndria tem uma origem diferente do resto da célula é porque as mitocôndrias têm um ADN próprio, diferente e separado do ADN da célula! A sua estrutura é muito simples, uma simples linha unida de moléculas com toda a informação necessária para produzir… uma mitocôndria.

   Este ADN mitocondrial tem uma particularidade muito importante para os modernos detectives da história genética da Humanidade. Como este ADN existe somente nas mitocôndrias, quando se forma um óvulo fertilizado este só contém a mitocôndria do óvulo feminino. A mitocôndria do espermatozóide encontra-se na cauda, onde é precisa para produzir a energia necessária à longa viagem que faz. Quando entra no óvulo, só a cabeça do espermatozóide entra e a mitocôndria masculina perde-se com ela. Assim não há mistura de ADN mitocondrial feminino e masculino. Todas as mitocôndrias são herdadas através unicamente da linha feminina.

   Como, ao contrário do ADN no núcleo da célula, o ADN mitocondrial sofre mutações a um ritmo regular (cerca de 20 mil anos de cada vez), é possível desvendar os laços que unem seres humanos das origens mais distantes, bastando apenas contar quantas mutações têm eles de diferença do ADN mitocondrial. Se não tiverem nenhuma diferença isso significa que têm um antepassado comum há menos de 20 mil anos, se tiverem uma mutação diferente tiveram um antepassado comum há 40 mil anos, e por aí fora. Foi por aqui que se confirmou a estreita ligação entre todos os seres humanos no planeta (há muito poucas mutações no ADN mitocondrial entre qualquer pessoa do planeta) e o facto de que todos os seres humanos descendem de uma única mulher que partiu de África há milhares de anos, a chamada Eva Mitocondrial.

   Entre todos os seres humanos existem menos diferenças genéticas (no ADN nuclear e no mitocondrial) do que dentro de uma família de gorilas ou outros símios. Os seres humanos formam verdadeiramente uma única família, com uma avó muito corajosa que partiu de África há 200 mil anos (em 2017 foi encontrado um fóssil de Homo Sapiens com 300 mil anos). Análise ao ADN revela que a diferença genética entre quaisquer duas pessoas no mundo é cerca de 0,1% (o que inclui cor da pele e cor dos olhos) e que há maior diferença entre chimpanzés e gorilas (1,8%) do que entre chimpanzés e seres humanos (1,2%). O último antepassado comum entre seres humanos e chimpanzés viveu há cerca de 7 milhões de anos.

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