6. Sagres: Guerra e Paz

   O navio Escola Sagres é a terceira embarcação portuguesa a receber esse nome. Nasceram alemãs, foram inglesas, brasileira e finalmente portuguesas. Eis um resumo da história de todas elas.

2004, Navio-Escola Sagres em Aveiro

   Há algumas características de um país que lhe são associadas e que são vistas como definidoras da identidade nacional. Elas incluem a língua (ver o artigo Phases: AO de 1911), a bandeira nacional (ver o artigo Origens da Bandeira), a sua História, a sua cultura, as suas tradições e culinária, entre outras.

   Um dos símbolos que é frequentemente associado a Portugal é o Navio-Escola Sagres. É importante compreender bem os símbolos que se usam para que possam ser adequadamente usados, 正確.

   No caso do NRP Sagres, houve três navios portugueses com esse nome e essa função (de navio-escola, isto é, usado para instrução náutica na Marinha Portuguesa): a Corveta Sagres (1858-1898), o NRP Sagres (1896-até hoje, também chamado Sagres II) e o NRP Sagres (1937-até hoje, também chamado Sagres III).

1884, Corveta Sagres
1884, Corveta Sagres

   A Corveta Sagres foi construída, em 1858, nas docas de Limehouse, no Reino Unido, tendo desempenhado várias funções diplomáticas. Em 1876, deixou de navegar, sendo transformada em Escola de Alunos Marinheiros e ancorada no rio Douro, junto ao Porto. Serviu de escola naval até 1898, ano em que foi abatida e as suas funções transferidas para a corveta EstefâniaA Corveta Sagres começou a sua vida como diplomata e acabou como Navio-Escola, tendo existido durante 40 anos.

1928, NE Sagres II
1928, NE Sagres II

   A Sagres II começou a sua existência como Rickmer Rickmers, no porto de Bremenhaven (que significa literalmente Porto de Bremen), no Mar do Norte no estado alemão de Bremen, em 1896, como navio de transporte de mercadorias na China. Em 1912, foi vendido e rebatizado como Max, passando a ser usado como navio de transporte de mercadorias entre Hamburgo (Alemanha) e o Chile (América do Sul). Em 1916, estando o Max ancorado no porto da Horta (na ilha do Faial, Açores), o Governo Inglês pediu a Portugal para apreender todos os navios alemães e austro-húngaros em portos portugueses. Portugal deu cumprimento ao pedido, o que levou a Alemanha a declarar guerra a Portugal e o Max foi capturado e emprestado ao Reino Unido para uso durante a guerra, tendo mudado o seu nome para Flores. No fim da guerra, foi devolvido a Portugal e foi novamente rebatizado como NRP Sagres.

Rickmer Rickmers Sagres II
Rickmer Rickmers,                              Hamburgo

Cumpriu as funções de Navio-Escola até 1962, altura em que foi substituído pelo Navio-Escola brasileiro Guanabara. Lá mudou de funções e de nome para Santo André. Em 1983, foi por último vendida à cidade de Hamburgo (Alemanha), onde foi restaurada, recuperou o seu nome original de Rickmer Rickmers e encontra-se permanentemente ancorado no porto da cidade como navio-museu. A Sagres II começou por navio de mercadorias, foi depois navio de guerra, é agora navio-museu e fez, em 2016, 120 anos.

NE Guanabara, NE Sagres III
NE Guanabara, NE Sagres III

A Sagres III nasceu como Albert Leo Schlageter nos estaleiros de Hamburgo, em 1937, como Navio-Escola da Marinha da Alemanha Nazi (um seu navio-irmão, construído simultaneamente, é agora o navio-escola Mircea, da Roménia). Em 1944, foi utilizado como navio de guerra, foi danificado e capturado pelo exército dos EUA. Depois da guerra, em 1948, foi vendido ao Brasil, que o rebatizou como Navio-escola Guanabara, funções que exerceu até 1961. Foi, nesse ano, vendido à Marinha Portuguesa, que o comprou para substituir o anterior NE Sagres. Tornou-se então o terceiro navio português com o nome Sagres e encontra-se nessas funções e nome desde essa altura. A 12 de Março de 2012, foi feito Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique A Sagres III, começou por ser navio-escola nazi, foi depois navio de guerra, novamente navio-escola, mudou de nacionalidade e fez, em 2016, 79 anos.

1984, NE Sagres II, na regata Lisboa-Bermuda
1984, NE Sagres II, na regata Lisboa-Bermuda

   As diversas encarnações da Sagres tiveram várias nacionalidades, foram diplomatas, mercadoras, soldados e professoras. É membro-honorário da Ordem do Infante D. Henrique por “Prestação de serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro, ou serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua História e dos seus valores” e, a 12 de Março de 2012, foi feito Membro-Honorário da Ordem Militar de Cristo por destacados serviços prestados no exercício das funções em cargos de soberania ou Administração Pública, e na magistratura e diplomacia, que mereçam ser especialmente distinguidos. Uma vida atarefada para um navio com tanta história.

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