81. Visão segura

   Quando, em 1896, Karl Friedrich Benz, engenheiro alemão, criou e começou a vender um automóvel com um motor de combustão interna (o Benz Patent-Motorwagen), a produção automóvel espalhou-se por toda a Europa e os carros tornaram-se parte da vida em sociedade, desde guerras (em especial na Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, com a criação dos veículos blindados) até à deslocação nas cidades e entre elas. O termo automóvel vem do Antigo Grego αὐτός «autós» e do Latim «mobilis» e carro do Gaulês «karros», nome que davam aos veículos puxados por cavalos. Para mais sobre o funcionamento dos motores de combustão interna, ver o artigo Compressão explosiva. 

   E os primeiros acidentes de carro não demoraram também a aparecer, à medida que mais pessoas se deslocavam de automóvel (a primeira pessoa a morrer num acidente de carro terá sido a cientista irlandesa Mary Ward em 1869). Como visto no artigo Sonhos no ar, cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas morrem todos os anos de acidentes de carro. Para procurar diminuir a sua ocorrência, foram introduzidas as regras de trânsito, novos mecanismos de segurança nos automóveis e novas formas de dispôr as ruas e as suas interseções, como as rotundas e os semáforos (do Grego σηματοφόρο, união das palavras σηματο «sigmato» de onde vem  sinal e φαρος «fáros» de onde vem farol). Ambas diminuem a incidência de acidentes de trânsito regulando o fluxo automóvel para minimizar o encontro de carros que se deslocam em sentidos diferentes.

   Uma rotunda  é um tipo de interseção circular na qual o tráfego automóvel circula continuamente numa direção em torno de um ponto central. As rotundas diminuem o risco de colisões automóveis em 40% por diminuírem os pontos de cruzamento dos automóveis em movimento de 32 em cruzamentos em cruz para apenas 4 nas interseções circulares. O país do Mundo com mais rotundas é a França, com mais de 30 mil «carrefour giratoire» em 2013, o que constitui metade do número de rotundas do mundo inteiro e é seis vezes maior que o número de rotundas do segundo país com mais rotundas, a Alemanha, com cerca de 5 mil «kreisverkehre».                                                                               

   O primeiro semáforo de trânsito foi colocado em 1868 à frente do Palácio de Westminster, onde se situa o parlamento inglês, na cidade de Londres. A parte mais antiga deste palácio data de 1097. (Não se confunda este palácio com o palácio da Rainha, o Palácio de Buckingham). É numa das torres do Palácio de Westminster que está o famoso Big Ben. O Palácio de Westminster não é habitado por um Rei desde o século XVI e desde o século XIII que o Parlamento inglês nele se reúne. Esse primeiro semáforo tinha lâmpadas a gás e um polícia acionava uma manivela na sua base para mudar para a cor desejada, em que a cor vermelha significava perigo e a branca significava segurança. Infelizmente este semáforo explodiu passado um mês, ferindo o polícia que o operava.

   A origem do uso da cores nos semáforos começou com comboios e com a empresa francesa  Chemin de Fer du Nord (Caminhos de Ferro do Norte), empresa que forneceu comboios à CP (Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses). O sistema inventado, o «Disque Rouge», consistia num disco que girava na sua base. Quando ficava com a face virada para o comboio, este avançava normalmente e os condutores paravam. Quando ficava com a face virada para os automóveis, estes avançavam (era sinal de que não vinha qualquer comboio). Durante a noite, o sinal era iluminado por uma luz vermelha. Associado a este sinal, os franceses adotaram o sinal sonoro que era usado no Império Austro-Húngaro.  Tendo em conta as doenças conhecidas como Acromatopsia (Cegueira a Cores), nas quais o indivíduo que as possui não é capaz de distinguir as cores vermelha e verde (e amarela), geralmente o sinal vermelho contém pequenas zonas laranja e a verde pequenas zonas azuis para que um daltónico os possa distinguir. Uma das doenças mais conhecidas deste tipo (mas não a mais frequente) é o Daltonismo, que recebeu o seu nome do cientista e químico britânico John Dalton (1766-1844), que tinha essa incapacidade. Dalton é principalmente conhecido pela sua Teoria Atómica, na qual a ideia de que as substâncias são compostas por pequenas partículas conhecidas como átomos foi (re)descoberta. O filósofo grego Demócrito (450 AEC-370 AEC) já tinha proposto a teoria atómica, mas a sua teoria foi relegada e esquecida por milénios devido à oposição de Aristóteles, cujos ensinamentos foram aceites absolutamente durante os milénios seguintes.

   O olho humano é sensível a 3 cores primárias: vermelho, verde e azul. O espectro electromagnético da luz visível comporta, no entanto, mais cores. O Vermelho situa-se entre os 780 nanómetros e 622 nanómetros; Laranja entre 622 nm e 597 nm; Amarelo entre 597 e 577 nm; Verde entre 577 nm e 492 nm; Azul entre 492 nm e 455 nm; Violeta entre 455 nm e 390 nm. Mais sobre as sete cores do arco-íris no artigo Pontes de cor.       A luz é a porção do espectro de radiação eletromagnética que o sentido da visão humano pode distinguir. Na retina, há os cones (entre 6 e 7 milhões) que são responsáveis pela sensibilidade do olho à cor. Há comes sensíveis à cor azul, à cor verde e à cor vermelha. Quando as células da retina são excitadas por fotões, convertem a energia luminosa em impulsos elétricos, que são enviados ao cérebro através do nervo ótico. É no cérebro que ocorre a decodificação dos impulsos recebidos, transformando-os em representações compreensíveis de objetos, eventos, pessoas ou situações.

    A maioria das pessoas tem visão normal, vendo correctamente as 3 cores primárias. 83 A incapacidade de diferenciar algumas destas cores resulta em Cegueira a Cores, da qual há 3 formas: a Monocromacia (nenhuma das 3 cores é distinguível, todas parecendo uma só); a Dicromacia (apenas 2 das 3 cores são distinguíveis, o que inclui o Daltonismo); a Tricromacia (as 3 cores são distinguíveis mas facilmente confundidas). Na incapacidade de distinguir vermelho do verde, há ainda: a Protanopia (são incapazes de distinguir entre verde-azul (492 nm) e branco. Abaixo de 492 nm vêem tudo a azul e acima de 492 nm tudo a amarelo); a Deuteranopia (confundem cores no espectro verde-amarelo-vermelho, centrado em 498 nm. Isto leva à incapacidade de distinguir entre o verde e o vermelho. Um conhecido exemplo de deuteranopia é o Daltonismo). Na imagem acima, são mostradas imagens em que surge um número constituído por dois algarismos. Pessoas com cegueira a cores não conseguirão ver o número. Na terceira imagem, referente à deuteranopia, é frequente mesmo pessoas com visão normal terem dificuldade em visualizarem o segundo algarismo.

   A Cegueira a Cores é relevante para a distinção entre os as diferentes luzes. São bastante raras e atingem principalmente no sexo masculino. Isso deve-se ao facto de que geneticamente as «Cegueiras a cor» surgirem no cromossoma X. Os Homens têm um cromossoma X e um Y enquanto as mulheres têm dois cromossomas X. O gene para as «Cegueira a cor» é recessivo. Como os Homens têm apenas um X (não tendo um correspondente no cromossoma Y), o gene recessivo é único, pelo que se manifesta estando só. Nas mulheres, como existem dois cromossomas X, o gene para as «Cegueira a cor» tem de surgir simultaneamente nos dois cromossomas. Desta forma, os homens são mais atingidos do que as mulheres, pois é preciso que ambos os progenitores de uma mulher tenham o gene para que ela possua uma das doenças. Já no homem, basta que um dos progenitores tenha essa deficiência e tenha azar na roleta genética para que seja portador. Entre 5% e 8% dos Homens têm algum tipo de «Cegueira a Cor». Apenas 0,5% das Mulheres têm algum tipo de «Cegueira a Cor». Há na verdade, além da Monocracia, quer na Dicromacia quer na Tricromacia, 3 tipos diferentes.  normalização da disposição das luzes é fundamental para a sua descriminação (não confundir com discriminação).

   As luzes de trânsito para peões da antiga Alemanha de Leste foram criadas pelo psicólogo comunista Karl Peglau, que teorizou que os peões responderiam melhor a luzes com uma imagem mais «amigável». Rapidamente os Ampelmännchen (em alemão «pequenos homes na luz de trânsito») se tornaram ícones no mundo comunista tornando-se até uma personagem importante num programa sobre Educação Automobilística. Após a reunificação alemã, o Ampelmann foi preservado nas cidades da Antiga Alemanha de Leste e em alguns bairros de Berlim. Em 2004, surgiu a sua congénere feminina, a Ampelweibchen, nas ruas de Zwickau e Dresden.

   Como facilmente se pode constatar, as 3 cores vermelho-amarelo-verde pertencem a partes distintas do espectro electromagnético da luz visível, pelo que são geralmente bem percebidas e distinguidas pelas pessoas. A questão da cor vermelha significar «parar», amarelo «precaução» e verde «avançar» é uma questão de padronização atual. Tempos houve em que o verde é que significava «precaução» e o amarelo «avançar». O vermelho, no antigo sistema ferroviário francês, significava «avançar». O amarelo foi também anteriormente substituído pela cor branca. Em 1999, o significado das cores dos semáforos foi internacionalmente estabelecido pela ISO 16508 da Comissão Internacional de Iluminação CIE (Commission Internationale de l’Éclairage).

 

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