98. Canárias: Portugal horizontal

Antes da divisão do Mundo em Tordesilhas, Portugal e Espanha dividiram o mundo no Alentejo, a rainha de Portugal que foi rainha de Castela, divisões do mundo, como as Ilha Canárias deram à luz o Brasil e os bandeirantes e deram o nome ao passarinho.

   Estas são as Ilhas Canárias (Tenerife, La Palma, La Gomera, El Hierro, Gran Canária, Fuerteventura, Lançarote, Graciosa, Alegranz, Ilha de Lobos, Montanha Clara, Roque del Oeste e Roque del Este), no Oceano Atlântico que eram já conhecidas na Antiguidade, tanto por fenícios como pelos gregos, cartaginenses e pelos romanos. Estes chamaram às ilhas Ninguaria (Tenerife), Canaria (Gran Canaria), Pluvialia (Lançarote), Ombrion (La Palma), Planasia (Fuerteventura), Iunonia (El Hierro) e Capraria (La Gomera). O nome Canária vem do Latim canis que significa cão, pelos relatos de cães selvagens que existiam na ilha. Também na Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), existia um pequeno pássaro canoro (Serinus canaria), domesticado a partir do século XVII e levado por navegadores espanhóis para a Europa e que recebeu o nome do arquipélago: canário.

   Quando os romanos chegaram às ilhas, não encontraram pessoas mas relataram a existência de ruínas de grandes edifícios de pedra. A partir do ano 1000, as ilhas começaram a ser colonizadas pelos Berbéres no Norte de África. Em 1336, os Portugueses efetuaram uma primeira expedição às ilhas, seguida por outras em 1340 e 1341 (era rei Dom Afonso IV, o Bravo) e estas eram já habitadas pelos Guanches (Tenerife), Maxos (Fuerteventura e Lançarote), Canarii (Gran Canária), Bimbaches (El Hierro), Auaritas (La Palma) e Gomeros (La Gomera).  Em 1412, Dom Henrique, o Navegador ordenou mais uma exploração das ilhas (e litoral africano) mas não houve tentativas de colonização. No entanto, as ilhas estavam sob «administração portuguesa», apesar de serem habitadas e os seus habitantes não ligarem às pretensões de soberania portuguesa. Na ilha La Gomera existe uma língua oral composta unicamente por assobios e chamada Silbo Gomero, que os habitantes da ilha usam para comunicar através das ravinas profundas da ilha.

   Após a conquista de Ceuta em 1415, Portugal iniciou a sua Era das Descobertas. Em 1420, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira descobrem a ilha da Madeira. Em 1427, Diogo Silves descobre a ilha de Santa Maria, uma das 9 ilhas dos Açores (ver o artigo Ilhas da Bruma que fala sobre a verdadeira origem para o nome do arquipélago). Em 1492, Colombo chega ao continente americano, julgando ter chegado à Índia (os nativos da América são chamados de «índios» por causa dessa primeira errónea ideia). No artigo A vida num sopro, fala-se na Ilha Hispaniola a que Colombo chegou. Em Castela, tinha morrido, em 1474, o rei castelhano Henrique IV o que levantou problemas de sucessão. Henrique IV tinha casado com uma irmã do rei de Portugal, Dom Afonso V. Desse casamento nasceu a princesa Dona Joana de Trastâmara. Com a morte de Henrique IV, ficava aberta a possibilidade de uma dinastia portuguesa na coroa castelhana. Não gostando da ideia, parte da nobreza castelhana rejeitou a paternidade de Dona Joana, alegando esta ser fruto das relações ilícitas da rainha com o fidalgo D. Beltrão de la Cueva e apelidando por isso Dona Joana de a Beltraneja. Antes de morrer, Henrique IV tinha apontado como sua sucessora a a meia-irmã de Dona Joana, Dona Isabel a Católica (a mesma que viria a patrocinar a expedição de Colombo). Os Portugueses, no entanto, insistiam na pretensão de Dona Joana ao trono. Em 1480, Afonso V de Portugal casou com a sobrinha e invadiu Castela para reclamar o que considerava seu direito, a Coroa castelhana. Os dois exércitos defrontar-se-iam, em 1476, em Toro, Castela, mas sem vitória para qualquer um dos lados.

   A guerra comportava muitas despesas numa época em que Portugal estava empenhado nos descobrimentos. Os Espanhóis mostravam algum interesse pela costa africana e em particular pela posse das ilhas Canárias. As rivalidades comerciais entre os dois países iam-se acumulando chegando a haver confrontos navais. Uma solução pacífica era ideal para evitar uma guerra que nenhum dos lados pretendia. A 4 de Setembro de 1479 assinou-se o Tratado de Alcáçovas (nome da vila portuguesa no Alentejo onde foi assinado). Este tratado resolvia questões pendentes entre Portugal e Castela, nomeadamente Portugal reconhecia Dona Isabel como rainha de Espanha, renunciando assim à paternidade de Dona Joana e a sua pretensão ao trono e, em troca das ilhas Canárias, as terras descobertas ou ainda por descobrir a sul do cabo Bojador seriam portuguesas. Abaixo do paralelo 27, as novas terras seriam portuguesas. Mais tarde este Tratado que criava o paralelo 27 seria transformado no meridiano do Tratado de Tordesilhas (1494),  a 360 quilómetros das ilhas de Cabo Verde, seguido pelo Tratado de Saragoça (1529) que completava a divisão até ao Oceano Pacífico.

   O Tratado de Alcáçovas foi a primeira divisão do Mundo entre Portugal e Castela. Mas entretanto, em 1492, Colombo descobre algumas ilhas do que ele julga ser a Índia mas que é a América (o nome do continente deve-se ao navegador que explorou a costa do novo continente, Américo Vespúcio). Mas as novas ilhas ficam abaixo do paralelo 27 e os Espanhóis desejavam a posse dessas novas ilhas. Para o fazer, Colombo distorceu os relatórios da expedição para que parecesse que as ilhas se situavam acima do paralelo. Simultaneamente a Coroa castelhana pediu ajuda ao papa Alexandre VI. Este papa era Castelhano e como tal disposto a ajudar as pretensões castelhanas e da sua grande apoiante, a muy católica Dona Isabel. Revogou então a bula anterior e criou uma nova bula Inter Coetera na qual a divisão geográfica entre Portugal e Castela passaria a ser um meridiano que passaria a 100 léguas dos Açores e a 100 léguas de Cabo Verde. Mas era impossível um meridiano passar por esses pontos, por os Açores se situarem mais a Ocidente do que Cabo Verde. Um novo meridiano foi criado depois, em 1529, sob os auspícios do papa Júlio II, passando a 370 léguas de Cabo Verde. Dessa forma impediu-se o confronto entre as duas nações ibéricas e o novo meridiano viria a permitir a colonização do Brasil. Os Bandeirantes (mercadores, mineiros, esclavagistas e colonos portugueses de primeira e segunda geração no Brasil) alargaram depois o território da colónia em busca de ouro e escravos fugitivos para o interior da zona de controlo espanhola. Além do português, os bandeirantes também falavam a língua tupi. Foi com palavras nesta língua que os bandeirantes nomearam os vários lugares por onde passaram, originando muitos atuais topónimos brasileiros além de nomes como “ananás” e “abacaxi”, como visto no artigo Palavras coloridas. O termo “Bandeirante” terá surgido entre eles, após, em 1677, terem registado que “índios tinham degolado várias “bandeiras” de paulistas”. O mais antigo uso que se conhece de “Bandeirante” surgiu em 1740.

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