120. 13 sinais

A História da Astronomia, as treze constelações que o aparente movimento do Sol atravessa ao longo do ano, as diferentes estrelas polares e a influência da Astronomia portuguesa na Astronomia chinesa.

   Antes da invenção do carro o Ser Humano caminhava, antes da invenção da escrita o Ser Humano cantava, antes da invenção da Ciência o Ser Humano mitificava, antes da Astronomia o Ser Humano… usava a Astrologia. Se aqui na Terra alguém “sabe” que um desastre lhe está para acontecer porque “Marte entrou na casa de Carneiro” então e quando morarem Humanos em Marte, será que o desastre acontece porque a “Terra entrou na casa de Carneiro”? A palavra desastre vem do Grego Antigo δυσ (dus) “mau/má” e ἀστήρ (aster) “estrela”, uma calamidade que surge por haver um desfavorável posicionamento dos planetas.

   Este é campo de estudo da antiga arte ou pseudo-ciência conhecida como Astrologia, o estudo do movimento e posições relativas de objetos no espaço como meio de prever o futuro e obter informações sobre a natureza humana e terá surgido há quase 5 mil anos. Muitas civilizações ao longo da História registaram os movimentos aparentes no céu e procuraram ligá-los a acontecimentos na Terra. Um desses sistemas ainda agora influencia a moderna Astronomia que procura estabelecer a personalidade de pessoas nascidas numa determinada data e prever a ocorrência de importantes eventos através de Horóscopos, palavra que vem do Antigo Grego ὥρα – hõra – “tempo/hora” e σκόπος – scopos – “observador” .

   A Civilização Suméria definiu a maioria das divisões temporais do ano, incluindo os 12 meses  do ano, os 7 dias da semana, 360 dias num ano (60×6), os 60 (12×5) minutos de uma hora e os 60 (12×5) segundos de um minuto, divisões de que se falou no artigo Tempo decimal. Fizeram também a divisão do céu em 12 partes, os 12 signos do Zodíaco. Esta relevância do número 12 na civilização suméria terá surgido pelo método da contagem que eles usavam, uma base hexadecimal surgida facilmente por contaram até 12 com uma mão e até 60 com as duas, como visto no artigo Dúzias de dedos. O apreço pelo número 12 muitas vezes levou-os a modificarem as suas observações para manterem a ligação a esse número, como dividirem o ano em 12 meses e na divisão do céu  em 12 regiões que evoluíram para os modernos 12 Signos do Zodíaco, palavra que vem do Antigo Grego ζῳδιακός κύκλος – zōidiakòs kýklos – “círculo de pequenos animais”  já que ζῴδιον – zōidion – é o diminutivo de ζῷον – zōion – “animal”, de onde também vem Zoologia e Jardim Zoológico.

   As 12 imagens que os sumérios de há 5 mil anos viam no céu e pelas quais o Sol aparentemente passava ao longo do ano eram: Luhunga (Agricultor) – Carneiro; Gu Anna (Touro divino) – Touro; Mastabba Bagal (Grandes gémeos) – Gémeos; Al-Lul (Lagostim) – Caranguejo; Urgula (Leão) – Leão; Ab Sin (Terra virgem) – Virgem; Zib Baanna (Escamas) – Balança; Girtab (Escorpião) – Escorpião; Pabilsag (Soldado) –  Sagitário; Suhurmas (Peixe-bode) – Capricórnio; Gu La (o Dador da Água) – Aquário; Dununu (Espinhas) – Peixes. Estas divisões temporais em 12 partes da Astrologia Suméria serviram de base à Astrologia na Grécia e à Astrologia na Índia, que influenciaram a Astrologia Ocidental e a Astrologia Chinesa.

   Mas há 13 constelações em frente das quais o Sol aparentemente passa no seu movimento ilusório. Além das 12 constelações geralmente conhecidas há uma décima-terceira. É a constelação do Serpentário (do Latim Serpens "serpente") ou Ofíaco (do Grego Antigo Ophiocus "serpente"), por onde o Sol passa por alguns dias de 31 de Novembro a 18 de Dezembro. No artigo Sabedoria matinal falou-se na origem das palavras “serpente, “cobra”, “víbora”. Esta era uma constelação já conhecida pelos Sumérios, que a associavam ao deus Nirah, geralmente representado com um torso de Homem e duas serpentes como pernas. Esta constelação era também conhecida pelo astrónomo grego Ptolomeu (90-168) cuja obra Tetrabilos do século 2 da Era Corrente fundou a moderna Astrologia Ocidental. Mas 13 não se encaixava no 12 sumério…

     Constelação Leão

   E a posição das estrelas de todas as constelações em relação às outras foi-se modificando também ao longo dos milénios e os “padrões” que formam, como a constelação de Leão. O próprio eixo de rotação da Terra vai oscilando, aos poucos modificando a zona do céu vista num local da Terra, fenómeno conhecido como Precessão axial, que vai alterando a posição das constelações  no céu e a estrela polar ao longo de 25 mil e 800 anos.

   A Astrologia suméria serviu de base à Astrologia Ocidental mas também à Astrologia chinesa, através das rotas comerciais  que ligavam a China à Europa e que constituíram a base da Rota da Seda. No século XVI, o telescópio europeu foi introduzido na China e no Japão pelos missionários Portugueses João Rodrigues (1561-1634), conhecido como 通訳 – Tsūyaku ou Tçuzu – “intérprete” em Japonês e Manuel Dias (157-1659), conhecido como  陽瑪諾 – Yang Manuo – na China. Foi o contributo português para o estudo dos céus por essas grandes civilizações orientais e cuja influência durou até ao século XIX.

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