1. Cognosco Primo

Eis a reencarnação do Cognosco, depois de uma longa ausência, marcada por vários acontecimentos que o mantiveram dormente.

Farei a seleção dos artigos mais relevantes de entre os 400 existentes, que publicarei aqui, além da publicação de novos (e ideias não faltam). Alguma reestruturação será implementada, de modo a manter um fio condutor entre os artigos mais antigos e os mais recentes. Isto incluirá a redução do tamanho dos artigos mais extensos (para caberem aproximadamente numa folha A4) e a inclusão de imagens nos artigos mais antigos desprovidos de uma.


Para começar,  eis o primeiro artigo publicado do Cognosco, de 2005

18 de Fevereiro 2005, 13h21m

Cognosco Primo

Há, por vezes, situações em que nos surgem de súbito e sem aviso pequenas respostas a questões que sempre tivemos. Por vezes até nos surgem respostas a questões de que nem tínhamos consciência termos. E essas pequenas pérolas de conhecimento iluminam o nosso rosto durante um dia ou dois e perdem-se depois nas torrentes das memórias que todos os dias temos de profissionalmente criar. Até ao dia em que, numa conversa ou num registo escrito, são necessárias e eis que surgem, tão subitamente como pareceram desaparecer. E surgem normalmente com uma certeza desproporcional à incerteza da origem dessa memória. São conhecimentos que se encontram já alojados no nosso grande corpo de memórias e que moldam a nossa visão do mundo e que já é difícil saber de onde vieram. Este blogue é uma tentativa de registar a história desses momentos, de os registar conscientemente. Já me aconteceu ficar maravilhado com esses pequenos nadas que registei e quando os torno a ler me proporcionam a mesma alegria que na altura em que os descobri me proporcionaram. Tenho pena é da miríade de pequenos nadas destes que se encontram algures por entre os corredores da minha mente e longe da imediata mão da razão e que não registei.

Uma das que recentemente me sugiram foi o facto de os Romanos chamarem “mesa” à refeição propriamente dita e “tabula” ao que chamamos mesa. Daí os comensais serem as pessoas que partilham um refeição e não os que se encontram sentados à frente do mesmo objecto ora quadrado ora rectangular ora circular para almoçar, lanchar ou jantar. Todos os que encontram no mesmo restaurante à mesma hora são comensais, mesmo que estejam do outro lado da sala. É curioso como a língua evolui. Passámos de comer uma “mesa” para passar a comer sobre uma mesa. Imagine-se o cenário: um romano é descongelado e introduzido na sociedade actual. Para seu grande azar é descongelado no Portugal 2005 e dizem-lhe “Vamos comer. Há ali uma boa mesa”. O Romano esfrega as mãos de contente pensando em suculentas aves, apetitosos javalis ou mesmo um pouco de “garum”. E eis que o sentam numa cadeira. Ele, inocente como todos os recentes descongelados são (?) pergunta “E então essa mesa? Quando chega?”. E dizem-lhe “Já aqui está. É esta circular feita de madeira”. Um profundo pesar abate-se sobre o seu rosto. Acordou só para ser obrigado a mastigar madeira? “Estes portugueses são loucos!”

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