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144. Movimento DLX

A criação de  dois estudantes universitários que revolucionou o comércio mundial, que inspirou três estudantes universitários portugueses a criar um movimento para ajudar a economia nacional, a empresa mundial e as suas centenas de sucursais que regem a atribuição de códigos de barras e como eles são calculados. 

   Em 2005, para promover a economia nacional portuguesa, três estudantes universitários (Pedro Cavaco com 20 anos de Engenharia Informática, Cátia Milheiro com 19 anos de Gestão e Bruno Barão com 19 anos de Engenharia Informática) reuniram-se numa iniciativa a que chamaram Movimento 560. A economia portuguesa tem estado sujeita às tempestades das correntes económicas mundiais desde que o seu império colonial se foi perdendo (artigo Império perdido), o comércio português das especiarias da Índia começou a rarear a partir do século XVI, com a perda de Ceilão para os Holandeses (artigo Lágrima do leão), com a doação da cidade de Bombaim (moderna Mumbai) aos Ingleses (artigo Pegadas no chá) e desde que o Brasil se tornou independente em 1822 (artigo Estrela verde). O Movimento 560 visa promover a compra de produtos de fabrico português ou com mão-de-obra portuguesa e é independente de filiações partidárias. Essa identificação é feita através dos códigos de barras. Dessa forma, promove-se ativamente a economia nacional sem ideias disparatadas e ineficazes de construir barreiras ou muralhas físicas.

   Por vezes, a origem do produto é incerta ou mesmo desconhecida através das indicações escritas. Mas os produtos de fabrico português costumam partilhar o código de barras começado por 560. Existem algumas empresas portuguesas ou produtos portugueses que possuem códigos de barras proprietários, o que significa que são produtos portugueses que não têm o código 560, no entanto os códigos proprietários que não têm 13 dígitos e são específicos de uma empresa registada. Existem também produtos de peso e quantidade variável e produtos demasiado pequenos para terem um Código de barras. A atribuição dos códigos de barras é gerida pela GS1 (Global Standards 1). A GS1 é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e mantém padrões globais de comunicação empresarial. Está sediada em Bruxelas (Bélgica), foi fundada a 26 de Abril de 1974 e conta com mais de 112 sucursais pelo mundo todo, incluindo a GS1 Portugal e a GS1 Brasil. Os seus códigos de barras são lidos eletronicamente mais de seis mil milhões de vezes todos os dias.

   O moderno código de barras foi imaginado por dois estudantes de pós-graduação no Instituto Drexel de Tecnologia nos EUA chamados Bernard Silver ( 1924-1963) e Norman Joseph Woodland (1921-2012). Em 1948, Bernard Silver  ouviu o presidente de uma cadeia de comida chamada Food Fair a pedir ao reitor da sua universidade para que fosse criado um sistema para automatizar  leitura da informação de um produto no fim de uma venda. Silver contou ao seu amigo Norman Woodland sobre esse pedido e ambos começaram a desenvolver alguns sistemas para o conseguir.  Em 1949, pediram a patente do seu Classifying Apparatus and Method (Método e Mecanismo de Classificação), em que os inventores classificavam este método como “a arte da classificação de artigos… através da identificação de padrões”, vulgo código de barras, baseado no Código Morse.  Ainda experimentaram usar um conjunto de círculos concêntricos e não barras que podiam ser lidos em qualquer direção. Mas foram as barras que foram adotadas e a patente foi oficializada em 1952. A 26 de Junho de 1976, foi vendido o primeiro produto com código de barras, uma pacote de pastilhas elásticas da marca Wrigley.

   Há mais de um sistema de código de barras. Há este sistema original UPC (Universal Product Code) nos EUA, o sistema EAN (European Article Numbering) na Europa, JAN (Japanese Article Numbering) e o IAN (International Article Numbering). Todos estes sistemas são idênticos na forma como codificação a informação exceto pelo número de dígitos (com implicações ao nível do algoritmo de controlo). O UPC, do qual há várias versões, tem 12 dígitos em que os 6 primeiros identificam o fabricante, os 5 seguintes identificam o produto e 1 dígito de controlo. Os restantes sistemas (em particular o que usamos em Portugal, o EAN-13) possuem 13 dígitos em que os 2 ou 3 primeiros dígitos identificam o país (560 para Portugal e 789 para o Brasil, por exemplo), os 4 ou 5 seguintes representam o código da empresa filiada na sucursal nacional da GS1, os próximos 4 ou 5 representam o código do item comercial dentro da empresa e o 13.º dígito é o dígito de controlo.

   O Dígito de Controlo é calculado de forma semelhante ao do Cartão de Cidadão português (artigo Cartão de Cidadão). Cada dígito no código de barras é alternativamente multiplicado por 1 ou por 3 e a soma com o dígito de controlo tem de dar um múltiplo de 10 ou houve um erro na leitura ou escrita do código. Por exemplo, o EAN (que corresponde a livros978-0-306-40615-7 está correto pois 9×1 + 7×3 + 8×1 + 0×3 + 3×1 + 0×3 + 6×1 + 4×3 + 0×1 + 6×3 + 1×1 + 5×3 + 7 = 9 + 21 + 8 + 0 + 3 + 0 + 6 + 12 + 0 + 18 + 1 + 15 + 7 = 100A página da GS1 Portugal tem mais informações sobre este cálculo.

   Os 2 ou 3 primeiros dígitos identificam o país (ou o tipo de publicação) que atribuiu o código onde o produto foi registado e não necessariamente o país de origem do produto. Mas para efeitos práticos (e particularmente no que concerne a Portugal) a diferença é nula e pode-se considerar em geral que um produto em que o código de barras começa por 560 foi fabricado em Portugal. A lista dos códigos de países no sistema EAN-13 da GS1 é a seguinte:

  Sendo certo que nem todos os produtos de origem portuguesa tenham um código de barras iniciado por 560, é igualmente certo que a maioria serão lusos porque o registo na GS1 Portugal é maioritariamente feita por empresas portuguesas. Por isso também é possível produtos portugueses terem códigos de barras que começam por outros valores que não 560 mas de uma outra sucursal da GS1. É aí que se torna imprescindível a referência à origem do produto (que obedecem a regras e a fiscalizações que não lhes permite falsificar origens ou inventar listas de ingredientes). Os primeiros números do código EAN não indicam a origem de produto ou empresa detentora da marca mas a filial da GS1 onde o código foi originado.

   Portanto, um produto fabricado na China por uma empresa detentora de marca Alemã, importado para Portugal pode começar por 560 (primeiros dígitos comuns em território nacional), se tais códigos forem adquiridos diretamente com a GS1 Portugal ou mesmo prefixo destinado a outros países. Isto não interfere na utilização do código, pois o padrão EAN é universal. Para o país de origem do código estão destinados os 3 primeiros dígitos caso se trate de unidades de consumo embora em situações especiais estes 3 primeiros dígitos sirvam para representar não o país onde o código foi gerado mas sim outro tipo de informação tal como os prefixos usados em produtos de peso variável, produtos de quantidade variável, para uso local na loja, para livros e publicações periódicas, para cupões e meios de pagamento, entre outras aplicações. Há também versões dos códigos de barras UPC e EAN com 7 ou 8 dígitos para produtos cujo tamanho não permite exibir a totalidade de um código normal. 

   Um outro sistema de código de barras da GS1 e que que tem registado crescente popularidade é o sistema QR, que foi inventado em 1994 pela corporação japonesa Denso (pertencente à Toyota) que produz componentes de automóveis e camiões. Destinava-se a registar veículos à medida que eram produzidos e foi desenvolvido para permitir a identificação a grande velocidade de componentes.  Os códigos QR são agora usados em muitos outros contextos, nomeadamente em aplicações para telemóveis e smartphones. São também usados para apresentar texto ao utilizador, adicionar um cartão de apresentação digital vCard ou para compôr um email ou mensagem de texto.