Arquivo da Categoria: Figura histórica

152. Sobreviventes

Dois sobreviventes arquitetónicos da Antiguidade clássica, na Grécia e em Portugal, a sua criação e História de sobrevivência e resistência aos castigos do tempo e como uma árvore de folhas tóxicas liga a cidade alentejana de Évora à cidade de Nova Iorque 

   Este é o Pártenon (do Antigo grego Παρθενών), um templo dedicado à deusa grega Atena, a Deusa dos Heróis e da Coragem Empreendedora e a protetora mitológica da cidade de Atenas.  É um dos símbolos mais reconhecidos da Antiguidade clássica e da génese da Civilização Ocidental. A mitologia grega não refere nenhum envolvimento romântico, algum namorado ou marido da Deusa. Como tal, era também chamada de «Atena Virgem» o que em grego é «Athena Parthenos». De «parthenos» vem o nome «Pártenon». O símbolo de Athena era a coruja, como referido no artigo Sabedoria noturna.

   O templo começou a ser construído em 447 AEC e foi completado em 438 AEC, ainda que a decoração do edifício tenha durado até 432 AEC. Este monumento ao espírito humano não se encontra nas melhores condições, não porque o tempo o tenha desgastado mas porque uma tragédia quase o arrasou. Até 1687, mais de 2000 anos após ser construído, permaneceu em excelentes condições. Os Gregos antigos sabiam construir muito bem e todo o Pártenon (situado na Acrópole ateniense, a cidade alta) está pejado de rigor matemático e técnicas extraordinárias para a altura e algumas delas ainda hoje desconhecidas. Mas bastaram apenas 418 anos para o deixar no presente estado. O Pártenon foi construído no Reinado de Péricles como templo à Deusa da Cidade, Atena, em apenas 15 anos. No ano 450, o Parténon foi transformado numa Igreja cristã dedicada à Virgem Maria. Quando os Turcos conquistaram a cidade, em 1458, tornou-se uma Mesquita. Ainda em 1674, um jovem pintor francês, Jacques Carrey, desenhou as estátuas e os frisos do Pártenon, pelo que se sabe que na altura tudo estava ainda intacto.

  Mas, em 1687, o General venesiano Francesco Morosini cercou a Acrópole porque, na altura, Veneza estava em Guerra com a Turquia e ele mandou bombardear a Acrópole, mesmo sabendo que os Turcos tinham armazenado grandes quantidades de pólvora no interior do Parténon. Um dos bombardeamentos atingiu mesmo o centro do templo e a pólvora explodiu. Em 1801, o Embaixador Inglês Elgin no Império Otomano (o Império turco) obteve permissão do Sultão para arrancar e levar as estátuas e os frisos do templo para o Museu Britânico, onde ainda permanecem. A explosão que não o conseguiu destruir e a pilhagem que não lhe roubou o espírito, o Pártenon, longe de ser vítima do tempo, é um seu conquistador!

   Um outro sobrevivente arquitetónico da Antiguidade Clássica situa-se em Portugal, na cidade de Évora, na época romana conhecida como Ebora Liberalitas Iulia, situada no sul de Portugal. Ebora era o nome celta para a árvore teixo (árvore de folhas tóxicas), e era também o nome pré-romano da cidade de Iorque, na Inglaterra. A cidade moderna de Nova Iorque nos EUA, cujo nome deriva da cidade inglesa, podia ser agora chamada de Nova Évora se o nome celta tivesse permanecido. Este é o Templo Romano de Évora, também chamado (incorretamente) de Templo de Diana, com uma base retangular de 15 metros de comprimento, 25 metros de largura e 3,5 metros de altura e 7 colunas variando de altura entre 1,2 metros e 6,2 metros. Construído por volta do século I, foi destruído algures no século V pelos povos Vândalos de quem se falou no artigo Vândalo civilizado.

   Durante o século 14, as ruínas foram integradas no castelo da cidade e, do século 15 ao século 19, serviu como Matador/Talho função que terá contribuído para a preservação das ruínas. Foi durante o século 17 que a designação Templo de Diana primeiro aparece no registo histórico pelas mãos do Padre Manuel Fialho, sem haver qualquer indício que ligasse o templo eborense à deusa romana da caça. A deusa romana Diana poderá também estar ligada à palavra “dias” como referido no artigo Cabeça na Lua. Em 1869, foi proposta a demolição das estruturas medievais construídas durante a Idade Média e a restauração do primitivo aspeto romano do templo. O trabalho iniciou-se três anos depois, sob a direção do arquiteto italiano Giuseppe Cinatti (1808-1879), e os vestígios das estruturas medievais foram finalmente removidas e o templo ficou com o aspeto que tem atualmente. Foi este arquiteto que deu a aparência românica do templo, segundo as ideias estéticas da sua altura. Pensa-se, devido às dimensões da estruturas e disposição das colunas, que originalmente o Templo Romano de Évora seria semelhante à Maison Carrée, (Casa Quadrada em Francês) em Nîmes, França, cuja construção data da mesma altura.